quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Deu no New York Times...


A edição de 21/08/2007 do New York Times, noticiou que a partir de outubro de 2008, daqui a pouco mais de um ano, o Medicare - securidade social governamental americana para os idosos - não mais pagará os hospitais por despesas decorrentes de algumas complicações adquiridas dentro do hospital.

Essas complicações foram consideradas pelo Medicare como "condições que podem ser razoavelmente prevenidas". Algumas dessas condições são frequentes, outras são mais raras, a lista das inicialmente consideradas incluem:
  • Úlcera por pressão (escara de decúbito)
  • Lesões causadas por quedas
  • Infecções relacionadas a cateteres venosos
  • Infecções urinárias relacionadas a sondagem vesical
  • Tratamento de pacientes nos quais foi esquecido objetos durante a cirurgia
  • Complicações decorrentes de transfusões de sangue incompatível
O New York Times afirma,ainda, que algumas seguradoras privadas estão pensando em caminhar na mesma direção. Além disso algumas outras condições preveníveis estão sendo consideradas como septicemia por S. aureus, pneumonia associada a ventilação mecânica e infecção por C. difficile.

Se a moda pega, e olha que não é muito difícil de pegar, muito em breve os agentes pagadores da saúde complementar no Brasil podem tomar a mesma conduta. Até há alguns anos, tanto a justiça, como os agentes pagadores consideravam as complicações decorrentes da assistência médico-hospitalar acima como simplesmente inevitáveis. Eram complicações que podiam e deviam ser diminuidas, mas nunca conseguiríamos eliminá-las.

A areia no sapato foi a Campanha 100.000 vidas (atualmente 5 milhões de vidas) que demonstrou que é possível, sim, eliminar essas complicações com cuidados simples e baseados em evidências científicas.

Vou tentar, no próximo artigo, analisar as possibilidades de implementação da Campanha 5 Milhões de Vidas no Brasil e suas consequências.